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O reflexo do conceito no design

O reflexo do conceito no design

 

As marcas só conseguem ganhar força e atingir uma grande notoriedade pública se forem capazes de construir uma identidade própria, assente num conceito singular e numa série de valores que as distinga das demais. O design deve servir para dar forma ao conceito e ajudá-lo a tornar-se único e facilmente reconhecível.

 

 

Muito se tem falado e teorizado acerca da identidade de marca ao longo da última década. À medida que a disciplina do Marketing foi evoluindo, este conceito passou a ser central para a estratégia de comunicação das empresas, principalmente a partir do momento em que começaram a humanizar o seu discurso e a ambicionar gerar fortes laços de identificação com os consumidores.

 

A identidade da marca não é mais do que o conjunto de elementos criados por uma empresa (e a forma como se interligam) para estabelecer uma determinada imagem na mente dos consumidores. Neste sentido, as marcas não existem sem uma identidade de marca mais ou menos clara – e podem ter mais projeção quanto mais forte for essa identidade. Estes elementos incluem não só os produtos ou serviços em concreto, com todas as suas nuances e especificidades, mas também a missão e os valores da empresa, bem como toda a comunicação e a sua identidade visual. 

 

Estabelecer uma identidade de marca forte que seja percecionada por um segmento abrangente de consumidores é um longo e moroso processo. E tudo começa com um conceito, que vai posteriormente ser declinado em partes mais concretas pelo branding: uma prática de marketing que procura ativamente moldar uma marca. Existem várias ferramentas para ajudar a alcançar este objetivo, sendo o design uma das mais poderosas, uma vez que se encontra algures na base de todo este processo, onde tudo o resto vai acabar por assentar.

 

 

 

A importância dos elementos visuais

 

Desde o primeiro momento que o design deve ser visto como uma peça fulcral para a criação de uma marca. Afinal de contas, é ele que dá uma forma tangível ao conceito e que estabelece toda a identidade visual da marca. Se o design conseguir capturar o conceito e a essência da marca, e representar a sua identidade de forma rigorosa, então ficam desde logo reunidas algumas das condições essenciais para o sucesso do negócio. É claro que muitos negócios conseguem ser extremamente bem sucedidos apesar de não terem uma marca forte e reconhecível, mas isso não significa que este primeiro passo não seja absolutamente essencial.

 

Os elementos visuais devem então espelhar a missão, os valores, a identidade, o posicionamento e o tom da marca de uma forma única, facilmente identificável e coerente. Por isso, é importante que todos estes pontos estejam claros e bem definidos logo à partida. Só depois disso se pode começar a desenhar a base da identidade.

 

 
1_Cores, tipografia, e formas: a base da identidade

 

Estes três elementos são o ABC do Design e estão na génese da construção da identidade visual de qualquer marca.

A palete de cores utilizada por uma marca na sua comunicação é talvez o fator mais impactante, isto porque é também o mais imediato: assim que vemos letras amarelas num fundo azul (ou vice-versa) lembramo-nos do IKEA, e qualquer retângulo verde com letras brancas nos remete para a United Colors of Benetton. E estes são apenas alguns dos melhores exemplos que demonstram o poder da cor. 

 

Para além disso, os consumidores também associam características psicológicas distintas às diferentes cores: o vermelho remete para a paixão e o entusiasmo, o preto para a elegância e sofisticação, o verde para a natureza, etc. Este é um fenómeno amplamente estudado no ramo da Psicologia e que vem sendo explorado com grande entusiasmo pela Publicidade há já várias décadas, e um dos principais motivos pelos quais a palete de cores tem um grande impacto na forma como uma marca é percecionada pelo público.

Por sua vez, a tipografia abrange o estudo, criação, e aplicação dos carateres e de toda a forma como as palavras chegam ao público, incluindo o seu formato, estilo e arranjo visual. É uma componente que acaba por se dividir em duas partes e que merece a devida atenção. Não só porque vai mostrar ao mundo o nome da marca e todo o peso que ela carrega através da tipografia do logo, mas também porque vai servir para dar forma às palavras usadas pela comunicação nos diferentes suportes através da tipografia da marca. Trata-se da base de toda a comunicação escrita, e precisa de conjugar a sua função como veículo da identidade da marca com a funcionalidade gráfica (boa legibilidade, flexibilidade, adaptabilidade à mensagem e ao suporte, etc).

Apesar deste elemento ser bem mais subtil que os anteriores, as formas e o modo como podem delinear certos aspetos da identidade da marca também acabam por ter uma grande importância. A escolha entre formas arredondadas, retangulares, ou linhas mais direitas acaba sempre por influenciar a perceção dos consumidores e por isso é necessário haver um certo cuidado para que se adequem à identidade da marca e à mensagem que ela pretende passar para o exterior.

 

A criatividade e qualidade técnica do designer vão posteriormente moldar a maneira como estes três elementos se ligam entre si para dar forma à identidade e a todos os elementos concretos da comunicação visual.




 
 
2_Dar forma à identidade: logo e utilização da identidade visual nos diversos suportes de comunicação

 

Depois de estabelecida a base da identidade, chega a altura de pôr em prática o processo de branding e transformar os princípios definidos em materiais tangíveis, que vão desde o logo até à identidade visual nos diversos suportes de comunicação. Para melhor compreender todo este processo, vamos analisar o trabalho de branding levado a cabo pela Ködö para a M! School For Musicians.

 

A M! School for Musicians é uma escola que disponibiliza workshops e formações com artistas de renome internacional para jovens que queiram aprender música clássica. Esta organização chegou-nos com um conceito de marcada extremamente bem definido e assente na juventude, numa abordagem moderna à música clássica, e na exaltação do meio cosmopolita.

 

Posto isto, a Ködö optou por utilizar o preto e branco como as cores primárias da comunicação, que representam na perfeição a sofisticação associada à música clássica. Esta elegância continua na tipografia e nas formas utilizadas no logo, com cinco barras (uma delas com o nome M! School For Musicians) que representam simultaneamente as torres altas que caracterizam as grandes cidades e as cinco linhas da pauta musical – juntando o cosmopolita ao clássico, e introduzindo subtilmente uma certa ousadia ao subverter a orientação das linhas da pauta musical. Para além disso, as quatro primeiras barras formam o M! presente no nome da escola.

Esta aparente simplicidade é depois combinada com variações consideravelmente mais irreverentes noutros suportes como posters e artigos de merchandising. Esta dualidade sobriedade/irreverência acaba por revelar aquilo que é a identidade da M! School For Musicians, e todos os elementos do design se ligam de várias formas e em vários níveis para refletir o conceito da marca.

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